Sem Nome (Tríptico)

2003

Daguerreótipo

25 x 19 cm

“A retomada de processos fotográficos primitivos é uma estratégia utilizada na produção contemporânea como contraponto ao automatismo da fotografia atual. Esse é o caso do uso do daguerreótipo, imagem única e positiva gravada sobre placa de metal. Considerado como o primeiro processo fotográfico de produção de imagens, caiu em desuso a partir da década de 1850, substituído por processos mais rápidos e econômicos que permitiam a reprodutibilidade. Ao produzir seus autorretratos em daguerreotipia, Cris Bierrenbach remonta a uma espécie de pré-história da fotografia, como se buscasse recuperar o momento fundante da representação. O daguerreótipo confere uma materialidade peculiar à imagem que parece se adequar perfeitamente ao exercício de captura de fragmentos do próprio corpo desenvolvido, há alguns anos, por Bierrenbach. Além disso, a superfície metálica promove a fusão entre o retrato da artista e o reflexo do observador, sendo este exigido a buscar o melhor ponto de vista para conseguir visualizar a obra. Cabe assinalar, por fim, que a daguerreotipia envolve uma forte dimensão de risco na manipulação de metais e substâncias tóxicas, o que faz da sua confecção uma complexa experiência de embate com a matéria, muito além da captação de um momento fugidio.”
Helouise Costa
(Verbete produzido para a exposição Fotógrafos da Cena Contemporânea – MAC USP, 2011-2012)

 

Coleção Museu de Arte Contemporânea de São Paulo

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